
Capítulo 8: Redesenhando o que Aprendemos
A institucionalização de uma igreja local gera muitos danos, sufocando a vida comunitária e a espontaneidade. A institucionalização da obra, no entanto, gera mais danos ainda, pois transforma o mover orgânico do Espírito em uma engrenagem burocrática e controladora, centralizando recursos para sustentar sua própria expansão estrutural.
Tenta-se usar a institucionalização em busca de operações mais rápidas e o controle so bre a consciência das pessoas. Nessa engrenagem, muitos cristãos são levados a acreditar que aquela estrutura humana é, de fato, o Corpo de Cristo. No entanto, até perceberem o engano, já se encontram longe da direção e do genuíno poder do Espírito Santo. O resultado visível e trágico desse modelo são líderes com pecados ocultos, consequência direta da ausência da cruz de Cristo.
O Senhor nos deu um exemplo vivo, na pele, de como é destrutiva a institucionalização da igreja. Dessa vez não foi lendo a história dos Irmãos Unidos, foi experimentando a dor do engessamento e o peso de tentar sustentar uma máquina religiosa em nosso próprio meio.
No Reino de Deus, os fins não justificam os meios. Tudo o que é feito para Deus deve ser feito por meio de Deus, seguindo a Sua natureza, pois “dele, e por ele, e para ele são todas as coisas” (Romanos 11:36). Caso contrário, se insistimos em usar métodos humanos e carnais para realizar uma obra espiritual, o Senhor rejeita esse effort e simplesmente se afasta. Ele permite que sigamos sozinhos, como adverte o Salmo 81:11-12:
”Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz... Pelo que os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram segundo os seus próprios conselhos.”
Foi o próprio Deus que permitiu a crise, usando essa dolorosa desconstrução para nos corrigir a rota. O alerta dado a Israel em 1 Samuel 8 ressoa fortemente para nós hoje: não devemos querer ser iguais às nações, seduzidos por modelos corporativos de sucesso que priorizam métricas sobre a vida. Não podemos pedir um rei para nós, trocando o governo vivo e dinâmico de Cristo pela falsa segurança de um comando centralizado humano, que promete organização, mas acaba escravizando o Corpo.
Para concluir, quero dizer, irmãos: olhem para o corpo de Cristo com muito amor. Olhem para cada membro ao seu lado, em seu meio de vivência. Permitam e promovam a espontaneidade, a mutualidade, a operosidade, a interdependência, a diversidade e a sensibilidade espiritual. Assim, aqueles que receberam um talento não cairão na tentação de enterrar seus dons e os que receberam muitos não terão oportunidade de se orgulharem.
